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  • Mikael Sampaio

Wolbachia: Biofábrica inaugurada em Petrolina


A Biofábrica do Método Wolbachia em Petrolina foi inaugurada na manhã da última segunda-feira (19/07). A estrutura, montada na sede da VIII Gerência Regional de Saúde (Geres), irá viabilizar a liberação de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia, os chamados Wolbitos, para atender o município, dentro da parceria entre o World Mosquito Program (WMP Brasil), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Ministério da Saúde, a Prefeitura de Petrolina e o Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). Na ocasião na inauguração, foi demonstrada como vai funcionar a liberação desses mosquitos, marcando o início das liberações semanais no município.

A liberação dos Wolbitos faz parte da estratégia do Método Wolbachia, iniciativa do World Mosquito Program (WMP), conduzida no país pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio financeiro do Ministério da Saúde, e que utiliza a bactéria Wolbachia para o controle de arboviroses, doenças que são transmitidas por mosquitos. O Método tem eficácia comprovada e não utiliza mosquitos transgênicos.

Petrolina é a primeira cidade do Nordeste a receber a iniciativa. A implementação do Método é liderada pela Prefeitura e conta com apoio do Governo de Pernambuco que cedeu um espaço da VIII Geres, reformado e equipado pelo WMP Brasil/Fiocruz, onde funcionará a biofábrica para a preparação dos Aedes aegypti com Wolbachia, o que proporcionará maior sustentabilidade para o projeto na cidade.

"A iniciativa, que já funciona em outros países e Estados brasileiros, vai ser monitorada a partir dos sistemas de informação, acompanhando sempre os casos das arboviroses para detectar como se darão as ocorrências e a diminuição. Esse é um processo sustentável e que trará melhorias para toda essa região, sendo mais uma estratégia que cresce dentro do SUS para controle das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti", pontua a secretária executiva de Vigilância em Saúde da SES-PE, Patrícia Ismael. A gerente da VIII Geres, Aline Jerônimo, também frisa que esse “é um grande avanço no enfrentamento de controle das arboviroses, sobretudo em nossa região”.

O Método Wolbachia tem eficácia comprovada. Um Estudo Clínico Controlado Randomizado (RCT, sigla em inglês), realizado em Yogyakarta, Indonésia, aponta uma redução de 77% na incidência de dengue em áreas tratadas com Wolbachia em comparação com áreas não tratadas, e redução de 86% das hospitalizações pela doença. No Brasil, dados preliminares observacionais apontam redução de até 77% dos casos de dengue e 60% dos casos de chikungunya em Niterói.

A Wolbachia é um microrganismo intracelular presente em 60% dos insetos da natureza, mas que não estava presente no Aedes aegypti, e foi introduzida por pesquisadores do WMP, iniciativa global sem fins-lucrativos que trabalha para proteger a comunidade global das doenças transmitidas por mosquitos.

Quando presente no Aedes aegypti, a Wolbachia impede que os vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela se desenvolvam no inseto, contribuindo para a redução destas doenças. Não existe modificação genética neste processo.

O Método Wolbachia consiste na liberação de Aedes aegypti com Wolbachia para que se reproduzam com os Aedes aegypti locais e seja estabelecida uma população destes mosquitos, todos com Wolbachia.

A implementação do Método Wolbachia em Petrolina será feita em etapas. A previsão é alcançar aproximadamente 300 mil habitantes da área urbana até o final de 2022. Nesta fase, não há previsão de expansão do método para a área rural do município, o que poderá ocorrer após, dependendo da disponibilidade de recursos.

Na primeira etapa de liberação, serão atendidos os bairros: São Gonçalo, Dom Avelar, Cosme e Damião, Antônio Cassimiro, João de Deus, Jardim São Paulo e parte do Topázio (Conjuntos Novo Tempo e Pedra Linda).

A liberação dos Wolbitos ocorrerá a partir da instalação de dispositivos em áreas públicas, chamadas de Casa do Wolbito, onde serão colocados ovos destes mosquitos, que vão nascer nestes recipientes e depois voar em busca de alimento. Este método é empregado pelo World Mosquito Program globalmente e já foi utilizado no Brasil, no município de Niterói. Os agentes de controle de endemias da Prefeitura de Petrolina irão instalar as casas de Wolbito pela cidade, com acompanhamento da equipe local do WMP Brasil/Fiocruz.

O monitoramento dos mosquitos, para avaliar o estabelecimento da Wolbachia, será feito por meio de ovitrampas instaladas e monitoradas pela Prefeitura de Petrolina, com apoio da equipe local do WMP Brasil/Fiocruz.

A produção de Wolbitos será feita na Fiocruz, no Rio de Janeiro. Em Petrolina, os ovos de mosquitos serão preparados para serem liberados em campo. A previsão é que nesta biofábrica sejam produzidas cerca de duas mil casas de Wolbito por semana.

A biofábrica tem aproximadamente 120 metros quadrados e recebeu investimentos do Ministério da Saúde, repassado ao WMP Brasil/Fiocruz, da ordem de 370 mil reais, entre reforma e equipamentos.

O Método Wolbachia é complementar às demais ações de controle das arboviroses realizadas pela prefeitura. A população deve continuar a realizar as ações de combate à dengue, Zika e chikungunya que já realizam em suas casas e estabelecimentos comerciais.

Mais informações sobre o Método Wolbachia estão disponíveis em wmpbrasil.org ou @wmpbrasil nas redes sociais.

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