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Temo um golpe militar e vou para o Exterior



“Meu coração já vinha me dizendo: não mexe com isso (política), não.” Joaquim Barbosa, blog de Lauro Jardim, O Globo

“Não acredito que esta eleição vá mudar o país”. Joaquim Barbosa, em entrevista ao Valor Econômico

“Os políticos criaram um sistema aferrolhado. de maneira a beneficiar a eles mesmos. Não há válvula de escape. O cidadão brasileiro vai ser constantemente refém desse sistema.“ Joaquim Barbosa, ao Valor

Conheci Neville D’Almeida. Na época, ele morava na Ilha da Gigóia, na Barra da Tijuca. Talvez ainda more. Recomendo os restaurantes de lá. Mas não acho vantagem conhecer Neville. Sempre que passava em frente a um bar, ele estava lá, garrafas sobre a mesa. Não tirava os olhos da minha namorada à época, uma atriz loira. Sentei para conversar algumas vezes. Olhava pra ele e pensava em seus filmes, “Os Sete Gatinhos”, “A Dama da Lotação”, “Navalha na Carne”. Como ex-crítico de cinema vou evitar misturar os canais aqui em um site de política. O que penso dele como cineasta já escrevi. De “Matou a Família e foi ao Cinema”, com Cláudia Raia, Louise Cardoso e “apresentando” Alexandre Frota, notório ex-ator pornô e atual militante de direita, me recordava como uma de suas obras mais abjetas. Voltei a lembrar do filme graças ao Alex Solnik, que o mencionou em um comentário em um canal de notícias, o 247. Alex falava de Joaquim Barbosa, o pré-candidato mudo que virou ex-candidato falante. E quando decidiu falar…


  1. O filósofo francês Blaise Pascal – calma, gente, não é frase fake do Facebook – tinha uma sentença que gosto de repetir. “Corremos alegres para o precipício, quando pomos pela frente algo que nos impeça de o ver”. Barbosa, “o menino pobre que mudou o Brasil” (capa de Veja na época em que foi o carrasco do mensalão), decidiu explicar um pouco da “decisão estritamente pessoal” que o levou a desistir de concorrer ao Planalto em 2018, mesmo após se filiar ao PSB. Numa leitura rasa, você, que já pensa em anular o seu voto, poderá empinar o peito e repetir: tá vendo, eu não sou o único. Se parar para pensar de verdade – não espere isso da maioria -, poderá questionar as declarações do “outsider” Joaquim Barbosa, que, conforme as últimas pesquisas, era o único não-político que tinha alguma chance de chegar ao Palácio do Planalto. Se você acredita em democracia, em voto, Barbosa é um mau exemplo pronto e acabado.

O ministro aposentado do Supremo escolheu alguns formadores de opinião para explicar porque queimou a largada. A nenhum deles mencionou os ganhos com seus três escritórios de advocacia, em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, valores que jamais seriam alcançados na Presidência da República. Ao blog do jornalista Lauro Jardim, do Globo, ele afirmou que seu coração já dizia para não mexer com a política. Um discurso impróprio para quem quase entrou nela, e, imagino, saiba, não há saída democrática fora dela. Disse ainda que vê três riscos no horizonte: Bolsonaro ser eleito presidente do Brasil, ou Michel Temer (“maquiavélico”) articular algo para se manter na Presidência ou que os militares deem um golpe. Opa, Barbosa vê risco de golpe militar e sai de cena?

Em entrevista publicada nesta quarta, 09, no Valor, Barbosa completa sua visão muito particular da política. “Não morro de amores pelo poder”, diz ele. “Os políticos criaram um sistema aferrolhado, de maneira a beneficiar a eles mesmos. Não há válvula de escape. O cidadão brasileiro vai ser constantemente refém desse sistema”. O quadro que Barbosa descreve, se correto, é de absoluta desesperança. “O sistema não tem válvula de escape. O cidadão brasileiro vai ser constantemente refém desse sistema. Você não tem como mudá-lo.” Eleições para que, certo, Barbosa?

Mas ele vai mais longe, literalmente. Avisa que não ficará aqui para lutar democraticamente – pelo voto – por um país melhor. Em outubro, quando os brasileiros estarão escolhendo o sucessor de Michel Temer, ele “provavelmente” estará fora do Brasil. De novo, votar pra que, não é?

Ah, a Confederação Nacional dos Transportes encomendou à MDA uma pesquisa de intenções de votos, a primeira consulta registrada no TSE depois de Joaquim Barbosa desistir de disputar a Presidência e que deve ser divulgada na segunda-feira. Vai ser a primeira oportunidade para saber quem saiu ganhando com a desistência do ex-ministro do STF.


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