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  • Mikael Sampaio

Por que Lula não visitou Salgueiro?



Por que Lula não passou em Salgueiro, ontem, e preferiu Ouricuri? O ex-presidente evitou um "reencontro" com a obra mais importante que ele tentou implantar no Nordeste, a Ferrovia Transnordestina, que está paralisada desde 2013. Na verdade, Lula e Dilma vieram a Salgueiro várias vezes, em clima de festa – entre 2010 e 2012 – para remarcar a inauguração da Transnordestina por diversas vezes.

Como um verdadeiro “sonho de uma noite de verão”, o cronograma parou de uma vez antes do final do (des)governo de Dilma, depois de uma reeleição super milionária e cheia de mistérios com o Mensalão em curso e, àquela altura, quem sabe, começava a nascer o “embrião” da Lava Jato, em Brasília.

Eram previstos R$ 4.5 bilhões para a execução do projeto da Transposição. Foram gastos mais de R$ 6 bilhões e a obra estancou em mais ou menos 50% do seu cronograma. A CSN, via Transnordestina Logística, a quem Lula confiou o projeto, com recursos do BNDES, pelo que se informa, teria dado um “trambique” de mais de R$ 400 milhões na Odebrecht, empresa que tocava a obra. Este seria o X da questão que levou o projeto (a redenção do Nordeste) ao fracasso.

Enquanto isso e, apesar de tudo, o presidente Temer está destravando o projeto da Transposição que parou várias vezes, por uma série de problemas, inclusive com uma enxurrada de processos na justiça entre as empresas que tentaram suceder a Mendes Júnior, atolada a te o gogó na Lava Jato.

Aos troncos e barrancos, foi executado o Eixo Leste (sem as tomadas de derivações que atenderiam as comunidades rurais ao longo de cinco quilômetros do canal principal). Até Lula festejou a liberação das águas do São Francisco, a partir de Floresta, com destino a Paraíba, de Monteiro até Campina Grande.

Depois de mais de um ano de paralisadas, tiveram reinício as obras do Eixo Norte, que parte de Cabrobó, passa por Salgueiro e desemboca no Ceará até chegar a Fortaleza. A previsão que as obras sejam concluídas até meados de 2018.

Só que a esta altura dos acontecimentos, o Velho Chico está quase seco e espera a respirar com a execução do projeto de transposição das águas do rio Tocantins para o São Francisco, de autoria do deputado federal Gonzaga Patriota, que passou a ser uma exigência número um e uma necessidade primordial para socorrer as populações localizadas abaixo da barragem de Sobradinho (que hoje tem um volume de apenas 8% do seu potencial).

Também existe uma grita infernal por água no continente do semiárido baiano, onde a seca é uma realidade histórica.