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  • Mikael Sampaio

Operação Greed: Gaeco detalha esquema criminoso que teria desviado R$ 2,5 milhões na cidade de Orobó


Imagem: MPPE

O Grupo de Atuação Especializada de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público de Pernambuco (Gaeco/MPPE) apresentou, em entrevista coletiva à imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (26), mais detalhes sobre a organização criminosa que foi alvo da Operação Greed, deflagrada no dia 23 de julho nas cidades de Orobó, Abreu e Lima, Recife, Paulista e Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, além de Umbuzeiro, na Paraíba, e Chapecó, em Santa Catarina.


De acordo com a investigação conduzida pela Promotoria de Justiça de Orobó e pelo Gaeco, o esquema criminoso teria sido responsável por um desvio de R$ 2,5 milhões em recursos do Instituto de Previdência Municipal de Orobó (Ipreo) desde o ano de 2015 . A primeira fase da Operação Greed já resultou na denúncia criminal de seis integrantes do grupo pelas práticas de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Cinco deles foram presos preventivamente e encontram-se à disposição da Justiça, enquanto o sexto foi submetido a medidas restritivas de liberdade diversas da prisão.


“O ex-diretor do Ipreo, Gustavo José da Silva, atuava em benefício de pessoas de confiança, como a própria esposa, Mirian Gisele de Abreu, e mais quatro amigos. Eles foram incluídos como beneficiários da previdência municipal e recebiam valores altos, da ordem de R$ 50 mil por mês, mesmo não sendo servidores públicos e nunca tendo contribuído com o Ipreo”, ressaltou o promotor de Justiça Sérgio Tenório de França, do Gaeco.


Ainda segundo o promotor de Justiça, o Gaeco deu início, no mesmo dia 23, à segunda fase da Operação Greed, com o cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Paraíba e Santa Catarina. Foram apreendidos aparelhos celulares, HDs de computadores, documentos, uma arma com munição e um cofre nas casas dos acusados e também nas sedes das empresas Faixa Branca Transportes e Logística, Vitória Transportes e GT Implementos Rodoviários, que estariam sendo usadas para lavagem de dinheiro.


A próxima etapa da investigação, segundo o Gaeco, inclui a quebra do sigilo bancário dos investigados a fim de avaliar as movimentações financeiras e se foram adquiridos bens com esses recursos, com o objetivo de devolver os recursos desviados aos cofres do Ipreo. “Ainda estamos com a investigação em curso, logo é possível que sejam identificados mais integrantes da organização criminosa e que a apuração do total desviado chegue a quantias ainda maiores”, complementou Sérgio Tenório de França.


Irregularidade foi descoberta graças a denúncia anônima — as práticas criminosas identificadas pela Operação Greed foram comunicadas através de uma denúncia anônima efetuada em 2018 por meio da Ouvidoria do MPPE. Além dessa notificação, a Promotoria de Justiça de Orobó foi procurada no mesmo ano por servidores municipais que alegaram ter sido impedidos de se aposentar em razão da saúde financeira debilitada do Ipreo.


“O Gaeco reforça a importância de os servidores públicos municipais fiscalizarem de perto a gestão dos institutos previdenciários. Não é justo que os servidores, que contribuíram todos os meses com o seu trabalho e vieram buscar seu direito a uma aposentadoria ou pensão sejam penalizados porque o diretor do Instituto estava sangrando os recursos. Fiquem atentos e se suspeitarem de qualquer irregularidade, procurem o Ministério Público”, orientou Sérgio Tenório de França.