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  • Mikael Sampaio

Lula é uma coisa, o PT é outra



Nas eleições de 2018 não se deve associar o desempenho do ex-presidente Lula (se for candidato) com o do seu partido, o PT. Lula transcende seu partido e a maioria dos eleitores não associa uma coisa à outra. Isso não representa nenhuma novidade, com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o PSDB era a mesma coisa.

FH venceu duas eleições no primeiro turno, em 1994 e 1998, e Lula chegou a quase 50% dos votos no primeiro turno nos pleitos que venceu em 2002 e 2006. Nem as bancados do PT nem do PSDB assumiram posições dominantes no Congresso. Para se sustentar, seus governos tiveram que promover amplas coligações parlamentares. A de FH teve como ponto de apoio o PFL (hoje DEM) e Lula (e também Dilma) o PMDB.

O PT, por ser mais orgânico, quando esteve no poder, obteve melhor desempenho eleitoral que o PSDB. Mesmo assim, depois dos escândalos do mensalão e do petróleo, sua ascensão foi contida pelo voto popular. O partido não seguiu a mesma marcha do PTB, que nas décadas de 50 e 60, cresceu a cada eleição. Isso fez com que os trabalhistas ultrapassassem o segundo partido da época, a UDN.

Lula elegeu-se presidente, em 2002, com um discurso amplo e cultivando uma imagem “paz e amor”. O PT não pegou carona, nem deve pegar, pois sua cultura é de raiva, ressentimento e sectarismo político. A vitória nunca os tornou generosos, mas ampliou sua fome e disposição de amassar adversários e, pasmem, até seus aliados.

Nas eleições de 2018, Lula mais uma vez está se descolando do PT. No seu programa eleitoral, a sigla petista deve aparecer do mesmo tamanho dos aliados: pequena e num canto da tela. Petistas amplos estarão à frente de sua campanha e personalidades apartidárias estão sendo procuradas e convidadas para irem ao vídeo ao seu lado.

O petista vai manter sua luta na Justiça, mas não vai querer continuar a guerra partidária. Desde já, ele estendendo suas mãos a líderes que participaram do impeachment da ex-presidente Dilma. Uma ala do PMDB, o maior partido do país, já está com Lula. Após as eleições, se Lula vencer, uma ala dos que o combateram na campanha, serão chamados para a ceia do senhor.

São muitos os que acreditam e querem que Lula venha a ser eleito presidente e assuma o cargo bufando. Querem que Lula adote o espírito “prendo e arrebento”. Mesmo que esta seja sua vontade pessoal, esta não deverá ser sua conduta política. Para governar um país dominado pela fragmentação partidária é preciso ter disposição de dialogar. Lula tem. O PT vive em outro mundo. E, todos sabem: é possível governar sem o PT.


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