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  • Mikael Sampaio

Espalhados pela cidade, animais de rua representam problema de saúde pública em Petrolina, PE



Andando pelas ruas, avenidas, estradas e demais vias de Petrolina, no Sertão de Pernambuco, uma cena se mostra comum, independente do bairro: animais de pequeno porte, em especial cães e gatos, circulam livremente.

Sem donos, eles vagam dia e noite pela cidade à procura de água, comida ou, simplesmente, de alguém que lhes dê um pouco de atenção. Esse cenário, além de doloroso para os bichinhos, representa um grave problema de saúde pública para o município.

De acordo com a prefeitura, não há uma estimativa do número de cães e gatos de rua que a cidade abriga. O veterinário responsável pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Petrolina, Alan Macêdo, afirma que os riscos são grandes para a população. “Os riscos envolvem as zoonoses, acidentes, tanto envolvendo veículos e motocicletas, quanto os acidentes causados diretamente pelos animais, mordeduras e demais agravos”, disse.

Por outro lado, o veterinário reforça que os riscos também existem para os animais. “O crescimento populacional desordenado e a ausência de bem-estar, haja vista as condições as quais são submetidos, como fome, sede, maus tratos, enfim, são relacionados propriamente aos animais”, acrescentou.


O G1 esteve em cinco bairros de Petrolina, nas Zonas Norte, Leste e no Centro da cidade. Em todos eles, foi possível observar a presença de animais de rua. Uma moradora do bairro José e Maria, na Zona Leste, que não quis se identificar, vive no local há mais de 30 anos e, de lá para cá, viu crescer o número de animais. “Quando eu vim morar aqui no bairro, não achava muitos animais. Hoje, tem muito cachorro na rua e muitos gatos pelas casas, andando pelos muros”, reclamou.

Nos bairros Quati, Cacheado e João de Deus, na Zona Norte do município, alguns moradores reclamaram da falta de controle desses animais por parte do governo municipal. No bairro Loteamento Recife, a queixa é a mesma.

Na Cidade Universitária, região central da cidade, o problema se repete. Comerciante no bairro, Ranielle Gomes destacou um outro lado em meio à situação. “Aqui tem bastante animal de rua, mas muita gente cuida bem deles, trazem comida de casa, dão ração”, disse.

Protetora independente e voluntária da Associação Proteger, Organização Não-Governamental (ONG) que atende animais de rua de Petrolina, Ingride Lima lamenta a situação. “Eu penso que poderíamos reduzir muito o número de animais com mutirões de castração e conscientização da população. Os animais nas ruas passam maus tratos, fome, sede. Muitos adoecem, não são tratados devidamente”, afirmou.


Atualmente, o CCZ de Petrolina realiza um trabalho de controle populacional de cães e gatos na cidade, através da captura e de exames para constatar possíveis zoonoses ou doenças infecciosas graves. Após a avaliação, os animais seguem aguardando adoção responsável ou são liberados já vacinados contra a raiva, vermifugados, chipados e com coleira de identificação.

Recentemente, no final do mês de julho, o CCZ realizou uma feira de adoção de cães e gatos resgatados das ruas. Cerca de 20 animais foram adotados.

Dados nacionais

Dados recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que o Brasil contabiliza mais de 30 milhões de animais abandonados, sendo mais da metade deles, cachorros. Ainda segundo a OMS, em algumas cidades do interior do país, estima-se que cerca de ¼ da população dos animais vivam nas ruas.

Legislação

A Lei de Crimes Ambientais (Lei 9605/98) estabelece maus tratos como crime. O decreto 24645/34 (Decreto de Getúlio Vargas) coloca o abandono como maltrato, possibilitando que qualquer pessoa que testemunhe o abandono de animais domésticos ou exóticos possa denunciar o caso à polícia. Em Petrolina, não existem leis ou decretos municipais que regulamentam a questão do abandono de animais.


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