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  • Mikael Sampaio

Eleição 2018 já é imprevisível e está se tornando ainda mais incerta



A eleição presidencial imprevisível do Brasil está se tornando ainda mais incerta, já que alguns dos candidatos ameaçam rejeitar o resultado.

Tanto a esquerda quanto a direita do espectro político brasileiro já estão questionando a legitimidade da votação de outubro. Enquanto o Partido dos Trabalhadores insiste que qualquer eleição sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria uma fraude, o ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro questionou a confiabilidade do sistema de votação eletrônica do país.

Lula e Bolsonaro são os dois candidatos mais bem colocados na campanha eleitoral, de acordo com as últimas pesquisas de opinião, o que significa que a validade do resultado não é apenas uma questão marginal. O presidente Michel Temer, que chegou ao poder após o impeachment de seu antecessor, enfrentou questões sobre sua legitimidade democrática ao longo de seu mandato, minando sua agenda política. Se o próximo presidente falhar em conseguir um mandato incontestado, ele ou ela pode lutar para garantir apoio do Congresso para lidar com as questões mais urgentes do país.

"O vencedor enfrentará dificuldades para garantir a governabilidade", disse Ariane Roder, cientista política da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Trazer calma para a sociedade será o desafio."

A operação Carwash, o escândalo maciço de corrupção, expôs a fraqueza das instituições do Estado, argumenta Roder, fornecendo subsídios para que alguns dos apoiadores de Bolsonaro questionem se o próprio processo eleitoral foi corrompido. Os que estão à esquerda, enquanto isso, acreditam que o aprisionamento de Lula foi feito para tirá-lo da política e destaca a politização do Judiciário.

O ex-presidente atualmente cumpre uma sentença de 12 anos de prisão após sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro. No entanto, ele continua sendo o candidato do Partido dos Trabalhadores, apesar do fato de que é altamente provável que ele seja impedido de concorrer.

"Free Lula" se tornou uma convocação para muitos na esquerda brasileira. As contas da mídia social de muitos membros da direção do Partido dos Trabalhadores proclamam que "uma eleição sem Lula é uma fraude" - um slogan ecoado nos grafites espalhados pelas paredes de muitas cidades brasileiras.

Votação Eletrônica

Enquanto isso, à direita, Jair Bolsonaro argumentou repetidamente que as cédulas eletrônicas brasileiras são suspeitas e que apenas uma cópia impressa de cada voto salvaguardaria a democracia. Em entrevista ao programa Roda Viva da TV Cultura em 30 de julho, o candidato disse que a votação de outubro estava "sob suspeita" devido à recente decisão da Suprema Corte de derrubar uma lei de reforma eleitoral que exigia uma cópia impressa da votação.

A questão está perto de seu coração. O Congresso aprovou poucas das dezenas de contas de autoria de Bolsonaro durante seus 26 anos na câmara baixa: uma das aprovadas foi a exigência de que máquinas de votação emitissem impressões.

Em 2002, o Brasil foi pioneiro nas urnas eletrônicas exclusivamente para eleições gerais, com Lula conquistando a presidência. Índia e Venezuela seguiram em 2004. O voto eletrônico também é usado parcialmente por alguns países, como EUA, França e Japão.

O atual sistema de votação é mais seguro e mais barato do que uma cópia impressa, segundo Rodrigo Coimbra, chefe da Seção de Votação Informatizada do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil. Os partidos políticos céticos em relação ao processo também têm o direito de auditar o software usado, disse ele em uma entrevista.

Mas falando com a Bloomberg na semana passada, o filho de Bolsonaro, Eduardo, também deputado federal, disse que sua desconfiança no sistema de votação é tão forte que eles são incapazes de dizer nesta fase se sua campanha aceitaria o resultado.

"Essa é uma questão muito difícil", disse ele. "Só podemos responder depois da eleição."

#Eleições2018

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