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  • Mikael Sampaio

Barbosa e Bolsonaro x Alckmin: a nova Guerra das Malvinas



No início dos anos 1980 a Argentina se enredara no que depois veio a ser conhecido como um fiasco militar. Uma ditadura em crise invadiu e ocupou as Ilhas Malvinas na esperança de que as ilhotas do Atlântico Sul viessem a ser definitivamente território do país. As forças armadas argentinas eram antigas e ultrapassadas, excetuando-se os mísseis franceses Exorcet que se tornaram uma das vedetes do conflito.

O Reino Unido considerava que as Ilhas Malvinas eram, na verdade, Ilhas Falkland, e que não seria difícil, avaliando-se o poderio militar sob o comando da então impopular primeira-ministra Margaret Thatcher, derrotar militares sul-americanos.

Um fato notório à época foi a lentidão com a qual o Reino Unido reagiu à invasão. Enquanto os argentinos ocuparam militarmente as ilhas, criaram uma zona de exclusão marítima, e equiparam seus aeroportos ao sul do país e próximo ao arquipélago, a frota da Rainha, contando com vários submarinos nucleares, cruzou lenta e pacientemente o Atlântico.

A imensa calma na reação era proporcional à força militar que o Reino Unido tinha quando comparada àquela mobilizada pelos argentinos.

Uma das frases célebres do grande general prussiano Carl von Clausewitz, a de que a guerra é a continuação da política por outros meios, é que me inspirou a comparar Joaquim Barbosa e Bolsonaro à Argentina, e Geraldo Alckmin e o PSDB ao Reino Unido.

Os dois fizeram o primeiro movimento, ocuparam um terreno, fincaram bandeiras, criaram uma espécie de zona de exclusão eleitoral, Bolsonaro certamente bem mais do que Joaquim Barbosa, mas as armas que eles têm são fracas quando comparadas àquele que disputa diretamente com eles o eleitorado, Geraldo Alckmin. Já este, realiza movimentos lentos e calmos, anda pelo país no mesmo ritmo em que os navios do Reino Unido cruzaram o Atlântico. Observa o cenário com paciência, calcula e avalia, ouve e pondera, mede a desproporção entre seus armamentos e de seus adversários.

Bolsonaro tem uma arma que está longe de ser obsoleta, é moderníssima, são as redes sociais. Mas tudo indica que sejam mísseis de curto alcance, que se lançados do continente não conseguem chegar em ilhas localizadas no alto mar. Joaquim Barbosa tem como arma a imagem de novidade. Por definição, com o passar do tempo o que é novo, envelhece. Afinal, o tempo passa para todo mundo e, nesse sentido, “who cares?”.

Os dois resolveram brigar dentro do território do inimigo, o Estado de São Paulo. Nesse caso, Alckmin não precisa nem se preocupar com o deslocamento, nem ele, nem o governador Márcio França, nem as centenas de prefeitos dos municípios do estado que estão dispostos a colocar sua infantaria de vereadores e secretários de governo a ir a campo lutar por votos.

O caso do General de Divisão, Márcio França, revela um pouco da fraqueza de um dos adversários. Formalmente, França deveria cerrar fileiras junto a Joaquim Barbosa. Porém, ele decidiu que seus comandados farão parte do exército contrário. Há um outro General de Divisão, Paulo Câmara, que também deveria estar entusiasmadamente ao lado do Marechal Barbosa, mas tudo indica que suas divisões estarão ao lado do exército vermelho.

As armas nas quais Alckmin leva visível vantagem sobre seus adversários são, dentre outras, a quantidade de prefeitos e vereadores do PSDB, que é sua infantaria, o tempo de TV para a propaganda de guerra, uma clara doutrina que fornece o fio condutor de comunicação aos seus soldados. Além disso, é provável que Alckmin acabe por contar com aliados de outros partidos, que formalmente o apoiarão e declararão guerra a esses dois tíbios adversários.

Hoje as Malvinas estão invadidas e ocupadas por nossos argentinos. Creio que, com o passar do tempo, quando a frota de Alckmin estiver atuante no campo de batalha o terreno possa vir a ser renomeado, tornando-se Falkland.


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