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  • Mikael Sampaio

A crise que não acaba atiça o cheiro de pólvora



Pelo jeito, militares são previsíveis até na escolha do sobrenome. Se um general Mourão, o Olímpio, desencadeou o golpe militar de 1964, vem agora outro general Mourão, o Antonio, falar em “intervenção militar”, que é o novo eufemismo para golpe. Ser previsível é característico da disciplina e da rotina militar. Para o bem e, como nesse caso, para o mal.


Previsíveis que são, os militares não são de cometer desatinos. Se o general Antonio fala em “intervenção”, se depois não é punido e se o comandante do Exército, Eduardo Villa Boas, chega a admitir, na entrevista que deu a Pedro Bial na TV Globo, a possibilidade de os militares intervirem diante da ameaça de caos, fica evidente que a fala do segundo Mourão não foi um deslize. Mas um recado.

Desde que se inviabilizaram as condições políticas de Dilma Rousseff, o país tem bordejado os limites da legalidade para sair da crise em que se enfiou. Para alguns, o impeachment foi um golpe parlamentar. Sem entrar aqui no mérito, já que o processo respeitou os preceitos da Constituição, foi fato também que houve dificuldade para definir sobre Dilma o crime de responsabilidade. Tanto que, ao final, o Senado chegou à esdrúxula saída de retirar o mandato dela mantendo seus direitos políticos, um fatiamento da pena que somente uma leitura muito enviesada do texto constitucional permitia.

Ao contrário, porém, do que muitos imaginavam, a saída de Dilma não estancou a crise política. A Operação Lava-Jato e seus desdobramentos são um questionamento da Justiça, da Polícia Federal e do Ministério Público acerca da forma como se relacionam financiadores e financiados na política. Em todos os partidos. Em todos os níveis. Assim, desmantelado o núcleo do PT, partiu para o núcleo do PMDB. Fustigou uma presidente. Fustiga um presidente. Não dá sinais de que pretenda parar.


E também há chances grandes de o país não se pacificar em algumas outras possibilidades. Se cair nas mãos de um radical como Jair Bolsonaro, por exemplo.

O Brasil paga o preço de ao longo da história se valer dos militares como ferramenta por não conseguir resolver seus problemas políticos pela via civil e democrática. A Proclamação da República já foi um golpe militar. Em 1930, Getúlio Vargas teve o apoio dos “tenentes” para derrubar a República Velha. Entre 1945 e 1964, houve mais de uma tentativa de tomada de poder pelos militares. Até conseguirem.

Neste momento, o Congresso mais uma vez patina e outra vez não consegue costurar uma reforma política que minimamente preste. O Supremo Tribunal Federal perdeu sua serenidade costumeira e virou uma casa em que os ministros batem boca como lavadeiras bem instruídas (que trocam os xingamentos tradicionais por frases mais elaboradas). Resiste-se às mudanças de comportamento na política. E, pelas redes sociais, a população transmite tudo, menos bom senso.

Neste momento, assanha-se o cheiro de pólvora nos quartéis. É preciso deixar claro que tal opção será o reconhecimento do nosso fracasso como civilização. Nas democracias, militares são servidores dos civis. Não o contrário…


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